Resposta detalhada
A disfunção erétil (DE) é definida como a incapacidade persistente de obter e manter uma ereção suficiente para permitir um desempenho sexual satisfatório.¹ Ela pode ter um impacto significativo na saúde psicossocial e na qualidade de vida tanto dos pacientes quanto de seus parceiros.² As Diretrizes da EAU recomendam uma abordagem personalizada para o tratamento da DE, que começa com mudanças no estilo de vida e utiliza medicamentos orais (inibidores da PDE5) como terapia de primeira linha, sendo as demais opções escolhidas de acordo com a eficácia, o grau de invasividade e a preferência do paciente.³ Os tratamentos de primeira linha incluem os inibidores orais da fosfodiesterase tipo 5 (iPDE5), como sildenafila, tadalafila, vardenafila e avanafila, que são eficazes em cerca de 70% dos homens com DE.⁴ No entanto, quando esses medicamentos falham ou são contraindicados, podem ser considerados tratamentos de segunda linha, como dispositivos de ereção a vácuo, injeções intracavernosas ou alprostadil intrauretral.⁵ Essas opções têm taxas de sucesso variáveis, mas podem ser alternativas eficazes para muitos pacientes. Para os homens que não respondem a outros tratamentos ou não podem utilizá-los, os implantes penianos (próteses penianas) são uma opção cirúrgica altamente eficaz, com uma das maiores taxas de satisfação entre todos os tratamentos para DE.⁶ As Diretrizes da EAU reconhecem dois tipos principais de implantes penianos: próteses maleáveis (semirrígidas) e infláveis (de 2 e de 3 peças).⁷ Os pacientes podem preferir a prótese inflável de 3 peças porque ela proporciona uma ereção mais natural, embora nenhum ensaio randomizado tenha comparado a satisfação entre os tipos de implante.⁸ De acordo com as diretrizes, as taxas de satisfação dos pacientes com os implantes penianos são excepcionalmente altas, superando 90% na maioria dos estudos.⁹ As taxas de satisfação dos parceiros são igualmente altas, de 91-95%.¹⁰ Essas altas taxas de satisfação são atribuídas às ereções confiáveis e sob demanda que os implantes proporcionam, permitindo uma atividade sexual espontânea, sem necessidade de planejamento prévio ou de medicação.¹¹ As Diretrizes da EAU observam que as complicações da cirurgia de implante peniano diminuíram significativamente com os avanços tecnológicos e os aprimoramentos cirúrgicos. Nos dispositivos de três peças mais utilizados, as taxas de falha mecânica são inferiores a 5% após cinco anos.¹² A infecção e a falha mecânica são as duas principais complicações; com uma técnica cirúrgica cuidadosa e profilaxia antibiótica, a infecção ocorre em cerca de 2-3% dos primeiros implantes em pacientes de baixo risco em centros de alto volume, e os implantes revestidos com antibiótico ou com revestimento hidrofílico podem reduzir esse índice para cerca de 1-2%.¹³ Os pacientes devem ser orientados a ter expectativas realistas, incluindo o fato de que o implante não aumentará o comprimento do pênis e não foi projetado para restaurar o comprimento peniano anterior.¹⁴ Ao considerar as opções de tratamento da DE, as diretrizes enfatizam a importância da tomada de decisão compartilhada entre o paciente, seu parceiro e o profissional de saúde.¹⁵ Embora os implantes penianos representem a solução mais eficaz para a DE grave, a escolha do tratamento deve ser individualizada com base na situação específica, nas preferências e nos objetivos do paciente.¹⁶
Das diretrizes clínicas
"Implantar uma prótese peniana se outros tratamentos falharem ou de acordo com a preferência do paciente." (p. 57) "O implante cirúrgico de uma prótese peniana pode ser considerado em pacientes que i) não são adequados para diferentes farmacoterapias ou preferem uma terapia definitiva; e ii) não respondem a outras modalidades de tratamento." (p. 55)